Há dias, já não me lembro quando, estava a dar uma edição do "Quem quer ser milionário" com figuras públicas, mais concretamente com humoristas, entre os quais estava o Herman José. O Herman José, que me parece que ainda não percebeu que o seu tempo terminou. Que, por muito que tenha marcado a história do humor em Portugal, que por muito que tenha tido graça no seu tempo, são factos indiscutíveis, é altura de dar lugar aos novos, porque a graça que ele tinha noutros tempos já lá vai há muito. Ou então continuar, mas sem querer sempre chamar todas as atenções sobre si onde quer que apareça.
E lá estava ele igual a si mesmo. A interromper vezes sem conta o Malato. A interromper os outros quando estes estavam a falar. Resumindo: estava a ser tremendamente inconveniente e ordinário, sempre com aquelas piadas de teor sexual às quais só os tolinhos ou as crianças (que acham piada a tudo o que envolva sexo) já acham piada. Bom, a dada altura levanta-se, chega perto do Malato, e diz, ainda que em tom de brincadeira, que o Manuel Marques - aquele moço muito magrinho e com imensa piada (Contemporâneos, voltem, estão perdoados) - por qualquer motivo que já não me lembro qual, era um tarado sexual. Ninguém achou piada, só mesmo o próprio Herman. Até porque há coisas que simplesmente não têm graça.
Eu achei aquilo de uma baixaria incrível. E pareceu-me que, no fundo, ele fez o mesmo que algumas pessoas fazem - querem transformar os outros naquilo que eles são. Os tarados sexuais, acham à força que todos são tarados sexuais. Os pedófilos, acham que todos os homens adoram crianças, mas não o demonstram. Algumas pessoas que traem os seus companheiros, acham que só não trai quem não tem oportunidades. Algumas pessoas que não são felizes no seu casamento, acham à força toda que todos têm de ter problemas no casamento, achando que quando algum casal se dá bem, é só para manter as aparências. E por aí adiante. Não percebendo que não somos todos iguais. Que não pensamos todos da mesma forma. Que cada um sente e vive a vida à sua maneira.
Adenda: Bom, parece que afinal quem o Herman apelidou de tarada sexual foi a cadela do Manuel Marques e não o próprio. Fica aqui o reparo e um pedido de desculpas pelo erro. Obrigada aos leitores pelo esclarecimento. Eu afinal percebi mal. É o que dá estar a fazer outras coisas ao mesmo tempo. De qualquer modo, e apesar disto, mantenho tudo o que escrevi em relação à pessoa em questão.
Dos problemas da vida*
Wednesday, 5 January 2011
Se 2010 já tinha terminado mal, 2011 começou pior ainda. Com um susto que me deixou sem forças e com o coração muito apertado. Felizmente, está tudo mais calmo. Ainda não está bem, mas está tudo mais calmo. Eu é que ainda não recuperei as minhas forças totalmente. Por vezes penso que já não me habituaria a uma vida normal, sem sobressaltos constantes, sem aventuras diárias, como tem sido nos últimos meses. Porque, no fim de tudo, quando respiramos de alívio, temos a maior e melhor sensação de todas as sensações. Se calhar é por isso que sempre ouvi dizer que sem dias maus, nunca poderíamos ter dias bons. Mas, pronto, escusavam de ser tão maus.
Oiço diariamente as pessoas a queixarem-se e a lamentarem-se da sua vida só porque partiram uma unha ou um dedo, e canso-me ao fim de cinco minutos. Confesso, já não tenho pachorra para pessoas que arranjam problemas onde não os há, que fazem tempestades em copos de água, só porque não têm problemas a sério com que se preocuparem e criam aquilo para ocuparem a cabeça ou para chamarem as atenções sobre si.
E da mesma forma que já não tenho pachorra para isso, também já não a tenho para contar os meus problemas aos outros, pelo menos à maior parte deles. Percebi que não vale a pena. Porque em geral as pessoas reagem quase sempre das mesmas maneiras. E todas essas maneiras me irritam (apesar de reconhecer que as pessoas até têm quase sempre boas intenções e apenas querem ajudar). Ou fazem logo ali um drama de tal maneira exagerado, que, no final de tudo, nós - os que temos os problemas - é que temos de os estar a consolar, ao invés de ser o contrário. Ou deitam logo um olhar de pena, e só Deus sabe o quanto eu odeio olhares de pena. Ou então ficam, ainda que inconscientemente, satisfeitos, do género - Humm, que bom, não sou só eu que tenho problemas.
Por tudo isto e para o caso de quererem saber como eu estou:
- Está tudo bem comigo, sim, obrigada. E convosco?
*Isto de começar os títulos dos posts por "Do", "Da" ou "Dos" é completamente viciante.
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