
Quando criei este blogue, em 2006, pouco ou nada percebia da blogosfera. Por isso, punha fotos minhas a toda a hora, sobretudo no meu blogue de viagens. Era uma forma de as mostrar aos meus amigos ou à família e era uma forma de eu as ver quando queria.
Entretanto, o blogue foi tendo cada vez mais visitas e eu comecei a aperceber-me dos perigos disso. Comecei a aperceber-me que ter fotos nossas na internet, acessíveis a todos, é quase o equivalente a ter as mesmas espalhadas pelas paredes cheias de graffitis de uma qualquer cidade. Qualquer pessoa reles tem acesso a elas. Qualquer pessoa reles nos reconhece na rua.
Foi o que me viria a acontecer mais tarde. Houve uma criatura que pegou numa das minhas fotos, que possivelmente tinha guardada da altura em que eu as tinha publicadas, e abriu uma conta no hi5 namoro (que eu nem sabia que existia) com a minha foto e com o endereço de e-mail do blogue, a dizer que eu procurava relações sem compromisso e isto e aquilo (felizmente, nessa foto estava debaixo do frio de Paris, bem agasalhada dos pés à cabeça, enquanto as minhas "companheiras" de hi5 namoro estavam bem descascadas). Escusado será dizer que, durante semanas, recebi e-mails de todo o género, com coisas horríveis, com fotos dos próprios nus, com fotos do seu material de combate em grande plano, enfim, fiquei a saber que há por aí muita gentinha (neste caso, homens) ordinária. Para além disso, tinha sempre uns cem pedidos para me adicionarem no messenger. Não foi nada fácil.
Isto tudo para dizer que quando vejo pessoas a colocarem fotos da família, dos namorados, dos filhos (dos filhos, então, é coisa para me deixar à beira de um ataque de nervos) torço sempre o nariz, a pessoa não sabe mesmo o perigo que está a correr. Como alguém dizia ontem na reportagem da sic - a internet devolve-nos sempre o uso que fazemos dela (e aqui pode ser em bom, ou pode ser em mau, e quando é em mau, é mesmo em mau).
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