
Gisele Bündchen
Eu rio-me sempre quando oiço pessoas a dizerem que não são nada invejosas, que nunca sentiram inveja de nada nem de ninguém. Que horror, a inveja, dizem elas. Estão a mentir. Todos nós já sentimos, pelo menos alguma vez, inveja. A inveja faz parte do ser humano. A única diferença é que há pessoas que invejam tudo e todos, e, tomados por essa inveja, rogam pragas aos outros, fazem-lhes mal, e nunca conseguem ficar satisfeitos com a sua vida, tudo isto vinte e quatro horas por dia, e há outras que têm pequenos ataques inofensivos de invejite que duram apenas alguns segundos. Eu, confesso, tenho, frequentemente, pequenos ataques destes.
Por exemplo, há dias, ali no Chiado, passou por mim uma turista japonesa que, para além do cabelo lindo e brilhante que possuía, levava ainda ao ombro uma Chanel 2.55 que se notava a léguas que era verdadeira. Sim, essas coisas notam-se a léguas. Obviamente que quando vi aquilo fiquei roída de inveja, pois queria mesmo era que aquela maloca tão gira fosse minha. Malvada japonesa, pensei eu para os meus botões. Mas, cinco minutos depois, já nem me lembrava daquele episódio.
Outras coisas que me causam pequenos ataques de invejite são as viagens dos outros. Sobretudo as viagens aos Estados Unidos, mais concretamente as idas a Nova Iorque. Fico verde de inveja quando sei que alguém vai. Malvados, penso eu. Mas depois passa-me aquilo e fico ansiosa pelo regresso deles para ouvir as suas histórias, ver as suas fotos, matar saudades da cidade.
Também invejo os meus pais porque estão juntos há cinquenta e dois anos. Invejo pessoas que têm tempo para tudo. Invejo pessoas que sempre foram saudáveis e que não têm preocupações como eu tenho. Invejo a Gisele Bündchen pelo corpo, pelo cabelo e pelo Tom Brady. Invejo aquelas pessoas muito arrumadas. Invejo as pessoas que escrevem muito bem. ...
Sou uma invejosa, portanto.
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